A formação
de Mucurici se du deido à ocupação de
terras devolutas, litigiosas, ferteis e principalmente com
a exploração de madeira de lei, o que fez a
regiao perder suas densas florestas de Mata Atlantica e se
tornar atualmente um dos municipios capixabas de menor pluviosidade
média anual e possuir caracteristicas de climas secos.
Segundo moradores
antigos como a Dona Antônia Passos Wagmacker: "quem
viu Mucurici a 50 anos, sente saudades da fartura que aqui
existia, e nem da para reconhece-lô".
Muitos baianos
e mineiros propietarios de terra ou trabalhadores rurais chegaram
aqui na expectativa de melhores dias, pois naguela epoca a
Bahia se encontrava numa grande crise economica por causa
da seca que assolava aquela região. Entre eles poucos
tinham condições financeiras privilegiadas.
Mucurici oferecia
oportunidades de melhoria de vida, pois abrigava techos exuberantes
de Mata Atlantica com uma fauna riquissima, na epoca emque
o Espirito Santo estavaem plena ascensao economica.
Muitos moradores
como Adão Wagmacker, contam que onde atualmente é
a praça principal de Mucurici, ja foi cenário
de caçadas de pacas, tatus, veados, entre outras especies
de animais.
Encantado com
essas belezas, veio a esta regiao, um mineiro de nome Manoel
Pereira Sena, conhecido popurlamente como "Manezinho
Pereira" ou aindadevido a mistura de sotaques mineiros
e baianos "Manezin". Ele chegou aqui nas proximidades
do rio Itaunas e comprou posse.
Mas o paraiso
escondia se lado aterrorizante que era afebre malária,
mais conhecida entre o po de "febre cesão".
Temendo ser contagiado, regresou com a sua familia para a
sua terra de origem.
Retornado um
ano depois, vendeu parte de suas terras para baianos e doou
cerca de 5 alqueires para que fosse feito o "comercinho".
El, como os
outros moradores da regiao, sentia muita dificuldade em adquirir
produtos necessários para o seu dia-a-dia, como querosene
que usava nos seus candeeiros ou "fifós"
que iluminavam sua casa, o sal que er muito utilizado na conservação
de carnes de suas caças.
Gastavam varios
deias nas trilhas das matas, montados em burros para chegarem
ate a cidade mais proxima (Nanuque) que na epoca se chamava
"Bueno".
Os colonizadores
que vinham com suas familias, construiam suas casas de adobe
e cobria-as de tatabuinha, pois era muito dificil adquirir
materiais que não fossem retirados da propria região.
A isso se deve o nome de "Comercinho da Tabuinha",
que tambem foi denominado de Itaúnas devido a proximidade
do Rio Itaúnas, porém o nome Itaúnas
nao foi bem aceito pelo povo.
Conceição
da Barra, era muito cobiçaa por Minas Gerais, pois
esta, significaria uma boa oportunidade de acrescentar ao
seu território uma saída para o mar. Sendo assim
o Espiríto Santos e Minas brigavam pela delimitaçaõ
de suas terras. Nesse intervalo de tempo, deu-se a formação
emancipação de Mucurici.
Os migrantes,
talvez mais interessados em se "arrumar na vida",
se esqueciam até mesmo que estavam em áreas
contestadas e quase que tranqüilamente prossseguiam no
seu labutar cotidiano, derrubando matas, caçando e
plantando quando vez por outra eram surpreendidos por disparos
de armas de soldados Mineiros e Capixabas que brigavam ente
si.
Na verdade,
as pessoas que aqui vieram, encontraram terras férteise
abundantes, porém tiveram que enfrentar inúmeras
dificuldades como a falta de equipamentos necessários
para as plantações, e principalmente doenças
que surgiam não tendo como recorrer ao atendimento
médico.
Mesmo assim,
não se deixavam abater, eram pessoas alegres e solidárias,
ajudavam os vizinhos nas plantações memo que
o objetivo maior fosse a diversão, pois ficavam dois
ou mais dias comendo, bebendo e dançando ao som de
uma sanfona que eram bancadas pelo proprietário.
(...)
O nome Mucurici
foi dado pelo deputado Floriano Rubin, e segundo o dicionário
Aurélio, tem origem indigena e significa: MUCURI-
árvore que da fruto amarelado com a forma de pêssego
e CI - sombra desta árvore. Tal árvore
tem madeira nobre e segundo informações do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, tal espécie existia
na região Norte do Espírito Santo e sul da Bahia,
extinta devido a devastaçã das florestas desta
localidade.
Existe outra
versão que o nome Mucurici veio do nome do rio Mucuri
e os que assim o denominaram não tinham o conhecimento
da sua origem indígena, e o CI seria
por causa da primeira silaba da palavra cidade.
Sabe-se porém que aqui viviam
índios Botocudos e Aimorés.
Até
meados da década de 60, muitos migrantes baianos e
mineiros ainda chegaram aqui. Porém na década
de 70, houve um grande êxodo nesta região, ou
por causa da decepção com os resultados da seca
ou pela situação politica do municipio, cuja
administração sempre foi centralizada a um pequeno
grupo. E influenciados pela notícia de prosperidade
dos estados do Pará e Rondônia, grande parte
deles vendeu suas terras e se mudaram, falando mais forte
o seu espírito aventureiro.
(...)
Até
o inicio da dédcada de 70, acidade era iluminada à
luz de motor movido a óleo diesel que funcionava ate
as 22 horas quando as pessoas iam dormir, e não havia
agua encanada. As mulheres carregavam latas d'águana
cabeça com um equilíbrio admirável, oque
para elas já era rotina, pois todos os dias iam às
minas "pegar água de beber", como diziam,
para vender as famílias.
Homens e Mulheres
também trabalhavam nessa tarefa árda, debaixo
do sol quente. A diferença é que carregavam
agua dos córregos em tambores que eram transportado
por jegues para vender à população e
que serviam para serem utilizadas no serviço geral
da casa e banho.
(..)
Atualmente
batizaram Mucurici como "Cidade de gente boa e hospitaleira".
Algumas comidas típicas ainda prevalecem com um pouco
mais de sofisticação, acompanhando tendências
divulgadas pelos meios de comunicação e da culinária
de outras regiões.
Como a região
não teve uma politica de desenvolvimento que viesse
gerar emprego ao longo do tempo, os jovens tiveram que buscar
novas opções em novas regiões.
A situação
vem se agravando ainda mais, pois muitos se alimentaram de
esperanças nos poucos serviços públicos
municipais e hoje essas possibilidades são remotas.
Muitas pessoas
que aqui vivem se acostumaram com a tranquilidade de uma cidade
pequena e de baixa criminalidade, onde todos se conhecem e
se sentem realizados com o pouco que a cidade oferece. Têm
transmitido para os mais jovens esse conformismo, o que acaba
transformando muitos deles em pessoas sem objetivos e esperança
de um futuro melhor.
Mais ainda
há um remanescente de pessoas corajosas que com muita
garra podem contagar o povo mucuriciense com espírito
de luta para trazer mudanças e renovação
sem que suas tradições e os bons costume dos
mineiros e baianos sejam esquecidos. |